#2 Notas de um regresso a Moçambique – Rumo ao Tofo
A viagem de regresso à praia do Tofo, no último mês de Novembro, foi feita debaixo de chuva, ao longo de cerca de sete horas e meia de tempo. Mas aí ainda não se adivinhavam os estragos e as vítimas que as cheias de Janeiro iriam provocar em Moçambique, considerado um dos países mais severamente afectados pelas alterações climáticas. Nem que a Estrada Nacional 1, a principal via do país, haveria de ficar destruída em vários troços, chegando a estar fechada à circulação entre o posto administrativo de 3 de Fevereiro, na província de Maputo, e a cidade de Xai Xai, na província de Gaza.
Percorremos nessa altura os cerca de 497 quilómetros que separam a capital da famosa estância, depois de lá termos estado pela primeira vez em Janeiro de 2016 (ver aqui) e mais duas depois disso. E se no destino encontrámos uma ou outra mudança, pelo caminho está mais ou menos tudo igual. Os vendedores de tudo e de mais alguma coisa continuam por lá, sempre à beira da estrada. Na Macia, as mamãs continuam a vender as suas frutas e legumes (e desta vez, Alzira, ex-emigrante na África do Sul, oferece-nos uma das suas mangas). Algures, rapazes vendem coelhos vivos ou uma espécie de porquinhos da Índia. Outro oferece um tubarão, junto ao desvio para a Ilha Josina Machel, na Manhiça, onde um destes dias morreram afogadas dez pessoas da família Matsolo, quando tentavam fugir das cheias. Entretanto, os chapas continuam a chamar-se Desconfia ou Ninguém Respeita Pobre; as lojinhas Pico Tira-se Com Pico (em Inhambane) ou A Inveja Só Prejudica e o Sol Nasce Para Todos (a seguir a Quissico, a terra das timbilas); as padarias Fidel Castro (em Chongoene) ou Pão do Viajante (em Inharrime). Em Xai Xai, o KFC - Kentucky Fried Chichen continua a animar ("Anima maningue", garante a publicidade) e é lá que conheço Hélder, de Zavala e aprendiz de fotógrafo e por ali a praticar.
No Tofo, há agora o Kumba Lodge, que se apresenta como "um santuário para aventureiros conscientes". Construído em plena pandemia, entre 2020 e 2021, está localizado em frente à praia, praticamente deserta nessa altura e com alguns vendedores, entre os quais António Estevão, vendedor de chapéus, a tentar a sorte. E tem um restaurante com boa comida, uma piscina com boa vista, massagens por marcação e aulas de ioga matinais e concorridas dadas pelo belga Steven, o anfitrião do alojamento, juntamente com a sua companheira Adelline, natural de Joanesburgo. Entretanto, o hotel Tofo Mar, que tinha sido renovado em 2013 pela mão do ex-ministro português Nuno Morais Sarmento e sócios, mudou de mãos e de nome e é agora o Blue Ocean. O que também irá mudar é a localização das lojinhas e barraquinhas de comida e bebida localizadas em frente ao hotel. Dizem-me que o local do Fatima´s Backpackers, em ruínas, será o destino dos que até agora têm animado o centro do Tofo.
Na Barra, outra das praias do litoral de Inhambane, uns dez quilómetros a norte do Tofo, também há novidades. E não são boas. A subida do mar continua a fazer estragos e uma tempestade recente deitou por terra uma das casas ali construídas. O Green Turtle, que foi sobrevivendo às ameaças da erosão (em Agosto de 2017 pensei que podia lá não voltar), não sobreviveu agora à não renovação do contrato de arrendamento com o Bay View Lodge, onde se localiza. Mas isso ficará para o próximo post.
O Kumba Lodge, que tem quartos de várias tipologias, tem preços no site, para dois e para uma noite, entre 4400 (quartos no jardim, cerca de 57 euros) e 8800 meticais (vista oceano, cerca de 114 euros). No Booking, onde tem classificação de 9, o quarto para dois e para duas noites (estadia mínima) custa 126 euros, com pequeno almoço. As aulas de ioga são gratuitas para os hóspedes e estão também disponíveis gratuitamente online (presencialmente, para não hóspedes custam 1000 meticais por aula ou 2500 por mês). Mais informações através do telefone +258856778433, do e-mail stay@kumbalodge.com ou em www.kumbalodge.com, onde está disponível o menu do restaurante ou algumas notas sobre os anfitriões: Adelline estudou direito e trabalhou em projectos de direitos humanos até que decidiu voltar a estudar e fazer um curso de culinária; Steven fez um mestrado em Economia e foi parar ao continente africano enviado por uma empresa de Antuérpia. Deixou o seu trabalho para se tornar professor de ioga.
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