Moçambique: varrendo o chão de terra em Mossuril

"Os portugueses não entendem o nosso cuidado de varrer em redor das casas. Para eles, apenas faz sentido varriscar o interior dos edifícios. Não lhes passa pela cabeça vassourar a areia solta do quintal. Os europeus não compreendem: para nós, o fora ainda é dentro."
Mulheres de Cinza, Mia Couto


Acabo de ler Mulheres de Cinza (parte da trilogia moçambicana As Areias do Imperador, junto com os títuloA Espada e a Azagaia e O Bebedor de Horizontes) e uma das frases do livro de Mia Couto fez-me lembrar desta fotografia. Tirei-a no início do mês perto de Mossuril, na província de Nampula, quando iniciava a viagem de regresso a Maputo depois de dois dias na Ilha de Moçambique e de três num paraíso ali perto, também conhecido como Coral Lodge (ver aqui). Saí do carro meio à pressa para fotografar uma mãe pata e vários pequenos patos que seguiam todos em fila ("Lá não tem?", perguntou admirada com o meu interesse a mulher a quem dávamos boleia até aos Três Caminhos, em Monapo), quando o rapaz à beira da estrada, onde várias mulheres vendiam mangas muito doces, me pediu para o fotografar também. A ele e à sua vassoura de vassourar a areia solta.





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