#6 Notas de um regresso a Moçambique – Visita ao renovado Museu de História Natural

Já é possível visitar desde o dia 1 de Outubro passado o renovado Museu de História Natural de Maputo, que reabriu ao público depois de ter estado encerrado durante dois anos. O mais que centenário museu está agora mais moderno, contando com novas áreas temáticas, um novo sistema de iluminação ou um elevador e uma rampa que o tornam mais acessível. Tudo graças a um  investimento avaliado em cerca de 310 milhões de meticais (4,2 milhões de euros), proporcionado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e pela Cooperação Internacional de Itália. O projecto, que inclui também a criação de um Centro de Conservação da Biodiversidade, esteve a cargo de uma equipa multidisciplinar de especialistas moçambicanos e italianos ligados à Universidade Sapienza, de Roma.

No interior do Museu de História Natural, fundado em 1913 com a designação de Museu Provincial e em 1933 instalado no edifício actual, de estilo Manuelino, podem ser vistos mamíferos, aves, peixes ou répteis taxidermizados, agora menos poeirentos e repartidos por ambientes de savana (destaque para os rinocerontes com os seus valiosos chifres originais substituídos por réplicas feitas em massa),  ambientes marinhos ou ambientes terrestres húmidos. Na sala de etnografia, criada em 1973, apresenta-se uma colecção de objectos, mais antigos ou mais actuais, que mostram as múltiplas facetas da cultura material moçambicana. Na sala de descoberta pode o visitante encontrar um feto de impala em formol e outro de um hipopótamo. E no andar de baixo, num canto ao fundo, está o maior tesouro do Museu, uma colecção que se apresenta como única no mundo. Trata-se de um conjunto de 14 fetos de elefantes, representativos de algumas das etapas dos 22 meses que dura a gestação destes animais. Foi ela reunida por volta da Primeira Guerra Mundial, quando os serviços de agricultura do Governo Colonial português resolveram limpar uma área a sul de Maputo para um projecto de agricultura que nunca avançou. Nessa altura, um fiscal de caça com o nome Carreira decidiu guardar em formalina os fetos que resultaram da morte de cerca de 2000 elefantes.

No exterior do Museu, é obrigatório visitar o mural de Malangatana O Homem e a Natureza, pintado entre 1977 e 1979 e reinaugurado em Julho de 2020, após trabalhos de conservação e restauro fruto da cooperação trilateral entre Moçambique, Portugal e Alemanha. E também o atelier da artista Renata Sadimba, a que num roteiro sobre Maputo que publiquei por aqui chamei "Um sítio escondido". Fica ao fundo do jardim, a seguir ao mural e ao lado do gabinete de taxidermia, e geralmente está aberto de segunda a sexta das 9h às 15h30.


























O Museu está aberto de terça a quinta das 8h30 às 15h30 e de sexta a domingo das 10h às 17h. Os bilhetes têm um custo de 100 meticais para moçambicanos (cerca de 1,30 euros) e de 300 para estrangeiros (3,95). Às quartas, a entrada é gratuita para visitas individuais (as de grupo continuam a ser pagas). Mais sobre a história do Museu, as suas actividades ou informações práticas (como por exemplo quanto custa encomendar a taxidermia de um leão inteiro, a mais cara, ou de uma lagosta ou caranguejo, as mais baratas) no site.


Publicações sobre o 23º regresso a Moçambique:






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