#7 Notas de um regresso a Moçambique – No atelier de Reinata Sadimba
Já as visitas a Moçambique iam em mais de uma dezena quando descobri o atelier de Reinata Sadimbi, um espaço meio escondido localizado ao fundo do jardim do Museu de História Natural de Maputo, logo ao lado do gabinete de taxidermia e a seguir ao belo mural O Homem e a Natureza, de Malangatana. E em Novembro passado, ainda não sabendo que a artista havia de integrar em 2025 a lista das 100 Personagens Negras Mais Influentes da Lusofonia, uma iniciativa anual da revista digital Bantumen, voltei lá. Só para ver Reinata, agora com 81 anos e ainda com dificuldade em expressar-se em português, a transformar o barro nas figuras estranhas e fantásticas que lhe deram projecção internacional e a levaram a expor não só em Moçambique mas também em Portugal, em Itália ou no Dubai.
Numa das paredes do atelier, onde podem ser compradas peças criadas pela artista e outras feitas pelo seu filho Samuel Muankongue, também ceramista, está um cartaz que resume a história de Reinata. Aproveito para a relembrar. Nascida na aldeia de Nemu, no planalto de Mueda, província de Cabo Delgado, numa família de camponeses da etnia maconde, Reinata aprendeu a arte de ceramista com a sua mãe, como parte integrante da educação tradicional que incluía o fabrico de objectos utilitários em barro. E mais tarde, em 1975, havia de iniciar uma transformação profunda na sua maneira de trabalhar, de modo a "dizer coisas que não sabia contar de outra maneira". Mas antes disso, Reinata casou e divorciou-se duas vezes (de uma relação abusiva), teve oito filhos mas só um sobreviveu. Entretanto, fez parte da FRELIMO - Frente de Libertação de Moçambique, tendo no início da guerra civil emigrado com o filho para Dar-es-Salaam, na Tanzânia, onde viveu com uma irmã. Regressou a Moçambique em 1992, tendo-se instalado em Maputo, no actual atelier no Museu, com a ajuda do então director Augusto Cabral. Em Março de 2022, o Presidente português condecorou-a com o grau de comendadora da Ordem do Infante D. Henrique, ex aequo com o escritor João Paulo Borges Coelho. Considerou na altura Marcelo Rebelo de Sousa que os dois têm em comum o "génio criativo" e também "a expressão da liberdade, da afirmação da independência e da pujança e do progresso de Moçambique".
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| Reinata em Novembro de 2025 |
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| Reinata em Agosto de 2017 |






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