#8 Notas de um regresso a Moçambique – Há nova arte urbana em Maputo

Tenho um fraquinho por arte urbana. E se na viagem a Moçambique feita em Março de 2025 fui até ao bairro Unidade 7 para conhecer as obras pintadas sobretudo por artistas do colectivo Maputo Street Art (ver aqui e aqui), no regresso em Novembro não precisei de ir tão longe para conhecer um extenso mural que nascia na cidade. Trata-se de uma espécie de quadríptico constituído por quatro murais projectados por Rui Silva, português nascido no Chimoio e de novo em Moçambique há 14 anos, e pintados na sua maior parte por Anísio Macicame. Encontrei os dois por ali, por acaso, em dias diferentes da estadia: o artista na Rua de Mukumbura, ainda a pintar o mural dedicado às aves de Moçambique; o curador na Avenida Julius Neyrere, a fotografar o já concluído mural constituído por dez rostos de mulheres (a maior parte imaginários) e por padrões de capulanas (todos reais). 

E Rui Silva, que é apreciador de arte por influência da pintora Maluda (que viveu na então Lourenço Marques e de quem foi amigo), contou-me tudo sobre o novo projecto. Nasceu este de um pedido que lhe foi feito pela empresa JAT, proprietária do terreno ladeado pelos quatro muros que agora são obras de arte, e que lhe deu carta branca para fazer o que quisesse, dizendo contudo que gostaria que a obra inclui-se uma homenagem à mulher moçambicana. Rui Silva, que é também activista ambiental e que acha que um mural pode ser uma forma de passar uma mensagem, juntou ao mural das mulheres mais três dedicados à temática da natureza. Na Avenida Armando Tivane há agora animais da fauna bravia de Moçambique, na Rua Eduardo Arão estão pintados os gigantes marinhos que têm o país como habitat. A obra, que tem uma garantia de ali permanecer pelo menos nos próximos seis anos, tem inauguração marcada para o mês de Março, quando for reabilitado o passeio da Rua de Mukumbura (a das aves) e quando ficar concluído um quinto mural a ser pintado agora, ali perto, junto ao Instituto Nacional de Meteorologia e dedicado às mudanças climáticas. Chamar-se-á A Escolha Também é Nossa e terá um lado mais negativo e mais monocromático e um mais positivo e mais colorido.

Em matéria de arte urbana houve ainda neste regresso a Maputo um terceiro encontro inesperado, com Sebastião Coana, artista distinguido como Figura Cultural do Ano em Moçambique em 2025 pela revista Xonguila. Quando o vi passar na FEIMA - Feira de Artesanato, Flores e Gastronomia, vestido com um colete com o seu nome e com salpicos de tinta, meti conversa com ele. Disse-me então que por esses dias se encontrava na Baixa a pintar (juntamente com as artistas italianas Barbara Migliaccio e Sara Zecchino), dando seguimento à iniciativa Cultura e Cidadania. Trata-se este de um projecto criado em 2023 pela Fundação Musiarte - Conservatório de Música e Arte Dramática, em parceria com o Conselho Municipal de Maputo, que vida promover a utilização das artes como veículo para o desenvolvimento social. Depois da requalificação da Travessa Tenente Valadim, em 2024, seguiu-se no final do ano passado a reabilitação da Rua da Catembe, que ganhou uma nova imagem através da arte urbana. Terei de passar por lá na próxima viagem.

































Publicações sobre o 23º regresso a Moçambique:


Comentários

Mensagens populares